sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ele

Pra que levantar se o que eu quero é ficar aqui deitada pra sempre?
Pra quê?
Pra que levantar se sei que do outro lado da porta só há o vazio?
Sem luz, sem vida, sem ele.
De que adianta?
De que adianta tentar andar se sei que não vou chegar a lugar algum?
Pois todos os lugares são vazios.
Sem nada, sem ele.
Todos os lugares são vazios.
Todos os lugares...
Pra que pensar em outras pessoas, coisas, sentimentos, se tudo de que preciso está com ele?
Pra que tentar mentir dizendo que gosto disso e daquilo se sei que só gosto dele?
 dele.
Pra que gritar se ninguém vai ouvir?
Pra que chorar se ninguém vai trazê-lo pra mim?
Pra que... eu não sei.

Invento mil motivos, causas, histórias. Só pra não deixar de pensar nele.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Confiança

Sempre confiei demais nas pessoas. E muitas vezes me dei mal.

E achava que as pessoas confiassem em mim também. Nunca soube se isso acontecia mesmo, mas não ligava.

E agora, eu finalmente percebi que estava errada por confiar tanto nos outros. Porque sempre me ferro. E isso aconteceu – de novo – recentemente.

***

Pensei que tivesse melhores amigos, gente em quem confiar mesmo. Que ficariam do meu lado por toda a vida. Ok, uma vida é tempo demais. Até o fim do colegial, no mínimo. Todos pensam assim. Deve ser algum tipo de necessidade humana.

Necessidade. Amigos nem são tão necessários. Eu consegui viver sem eles, não é impossível. Muitas vezes não é fácil, mas também não tão difícil. Só que existe gente demais no mundo. Gente demais até numa cidade pequena como a minha. Gente. Palavra desprezível.

E foi no meio dessa nação repugnante, que eu encontrei pessoas que pensei serem especiais e que comecei a chamar de “amigos”. Me identifiquei com eles, fui me aproximando e logo estávamos íntimos, como se nos conhecêssemos há muitos e muitos anos. Eles pareciam me entender tão bem como eu os entendia. Me repreendiam quando eu fazia algo errado, ficavam do meu lado em momentos bons e ruins.

Mas acontece que as pessoas mudam. Não importa o quão legais elas tenham sido com você, sempre vão te fazer sofrer. Talvez não façam por querer. Todo mundo age sem pensar, às vezes. Mas muitas vezes eles sabem que estão fazendo algo que vai te deixar mal. E mesmo assim o fazem.

O que eles fizeram não importa. Só não entendi onde foi parar a afeição, o amor que antes era claro. Nunca pensei que pudessem fazer algo assim.

Talvez nem seja algo tão grave – e não é – mas eu sempre faço tempestade em copo d’água, alguém sempre me diz isso. Mas atos como esse servem para abrir meus olhos. E me fazem perceber que a amizade nunca é algo totalmente cor-de-rosa. Meus amigos são humanos, e humanos fazem os outros sofrerem. É algo tão normal, que nem sei o porque fiquei tão abismada.

Acho que porque sei que não faria algo assim com eles. Mas as pessoas não pensam como eu, isso é um fato.

Meus amigos não lembram do que fizeram, apenas um fim de semana depois do ocorrido. Talvez porque para eles não tenha acontecido nada. Talvez aquela ação seja, para ambos, normal. E talvez eu esteja errada, enxergando erros onde eles não existem. Vai saber.

Mas eu fiquei bem... decepcionada. É a Vida. É a droga da Vida. Sempre me decepcionando, sempre me atingindo dos lugares mais improváveis.

E agora tudo está melhor. Eles viram que eu estava mal, perguntaram o que era e eu expliquei. Pediram desculpas, essas coisas. Mas perdoar não é esquecer. Obviamente. Só... atenuar a situação. Perdoar é algo passageiro.

Porque sei que logo vão fazer de novo. E, mais uma vez, eu vou esquecer.

Até o dia em que os perdões acabarem.

domingo, 28 de março de 2010

Motivo.

"Sim, sei que o amor é incondicional. (...) É isto o amor? Nunca imaginei que pudesse senti-lo eu mesma. O meu coração... sinto que o meu peito mal pode contê-lo. Como se estivesse a tentar escapar, por já não me pertencer. Pertence a ti. Se o quiseres, não desejarei nada em troca, não desejarei presentes, nem demonstrações de devoção. Nada a não ser saber que também me amas. Só o teu coração em troca do meu."

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Incomum

Qual o problema
Em ser diferente, afinal?
Alguém me explique, por favor

Olhos vidrados em mim,
Apontado meus erros
Meu tropeços
Cuidem de suas vidas, eu digo!

Imagine um mundo
Um mundo de plástico
Onde tudo fosse falso
E todas as garotas Barbies

Sinto muito por não ser
Aquilo que você esperava
Aquilo que te agrada
Mas eu não sou
Um projeto seu

Em um mundo superficial
Ser diferente das demais pessoas
E não me encaixar em nenhum modelo
É meio cômico e meio triste

Mas hoje eu tenho certeza
Que gosto de ser incomum
E diferente de todas essas pessoas falsas
Que fingem ser quem não são
Para agradar alguém.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

"Sei exatamente como é querer morrer, como machuca sorrir, como você tenta se encaixar, mas não consegue. Como você se fere por fora tentando matar o que tem por dentro…" Garota Interrompida.

Com certeza, eu sei bem como é.

Querer parar o tempo, ao mesmo tempo em que suplica para que ele passe mais rápido.
Querer ficar onde está, não se mexer, falar ou respirar outra vez, enquanto pensa em fugir pra longe de todos esses rostos conhecidos, e nunca mais voltar.

Estou cansando disso tudo. Dessa gente falsa que finge se importar comigo, mas que na verdade nem percebe minha presença. Que tenta me fazer sentir especial, mas que não liga para o que eu sinto, gosto, penso, ou quero. Com o tempo, aprendi a ignorar tudo isso. Principalmente tendo um motivo.


O motivo que me faz acordar todas as manhãs e respirar mais uma vez quando não vejo mais razões para isso. O motivo pelo qual eu continuo, tento ser forte e não desistir.

Mas ele está partindo. Não vai deixar de ser a minha razão, mas vai me deixar. Sozinha. De novo. A única pessoa com que eu me sinto bem está indo embora.
E quando penso que isso está com os dias contados, que vai se tornar uma coisa rara, eu não... eu estou desesperada.


Queria acordar agora e perceber que foi só um sonho ruim. Sair desse labirinto e conseguir ver a luz. A minha luz. Minha razão. Que agora está se afastando.

Me deixando perdida no escuro. Como antes.