Sempre confiei demais nas pessoas. E muitas vezes me dei mal.
E achava que as pessoas confiassem em mim também. Nunca soube se isso acontecia mesmo, mas não ligava.
E agora, eu finalmente percebi que estava errada por confiar tanto nos outros. Porque sempre me ferro. E isso aconteceu – de novo – recentemente.
***
Pensei que tivesse melhores amigos, gente em quem confiar mesmo. Que ficariam do meu lado por toda a vida. Ok, uma vida é tempo demais. Até o fim do colegial, no mínimo. Todos pensam assim. Deve ser algum tipo de necessidade humana.
Necessidade. Amigos nem são tão necessários. Eu consegui viver sem eles, não é impossível. Muitas vezes não é fácil, mas também não tão difícil. Só que existe gente demais no mundo. Gente demais até numa cidade pequena como a minha. Gente. Palavra desprezível.
E foi no meio dessa nação repugnante, que eu encontrei pessoas que pensei serem especiais e que comecei a chamar de “amigos”. Me identifiquei com eles, fui me aproximando e logo estávamos íntimos, como se nos conhecêssemos há muitos e muitos anos. Eles pareciam me entender tão bem como eu os entendia. Me repreendiam quando eu fazia algo errado, ficavam do meu lado em momentos bons e ruins.
Mas acontece que as pessoas mudam. Não importa o quão legais elas tenham sido com você, sempre vão te fazer sofrer. Talvez não façam por querer. Todo mundo age sem pensar, às vezes. Mas muitas vezes eles sabem que estão fazendo algo que vai te deixar mal. E mesmo assim o fazem.
O que eles fizeram não importa. Só não entendi onde foi parar a afeição, o amor que antes era claro. Nunca pensei que pudessem fazer algo assim.
Talvez nem seja algo tão grave – e não é – mas eu sempre faço tempestade em copo d’água, alguém sempre me diz isso. Mas atos como esse servem para abrir meus olhos. E me fazem perceber que a amizade nunca é algo totalmente cor-de-rosa. Meus amigos são humanos, e humanos fazem os outros sofrerem. É algo tão normal, que nem sei o porque fiquei tão abismada.
Acho que porque sei que não faria algo assim com eles. Mas as pessoas não pensam como eu, isso é um fato.
Meus amigos não lembram do que fizeram, apenas um fim de semana depois do ocorrido. Talvez porque para eles não tenha acontecido nada. Talvez aquela ação seja, para ambos, normal. E talvez eu esteja errada, enxergando erros onde eles não existem. Vai saber.
Mas eu fiquei bem... decepcionada. É a Vida. É a droga da Vida. Sempre me decepcionando, sempre me atingindo dos lugares mais improváveis.
E agora tudo está melhor. Eles viram que eu estava mal, perguntaram o que era e eu expliquei. Pediram desculpas, essas coisas. Mas perdoar não é esquecer. Obviamente. Só... atenuar a situação. Perdoar é algo passageiro.
Porque sei que logo vão fazer de novo. E, mais uma vez, eu vou esquecer.
Até o dia em que os perdões acabarem.
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